segunda-feira, 26 de dezembro de 2011


Pele, corpo, desejo, intenção
Braços, mãos. Cheiro, imensidão.
Ar... falta de ar, pulsar de coração,
Roupa. Tira a roupa! Nudez, celular no chão.
Querer, não poder, se conter, negação!
Penumbra, com blusa,sem blusa ,suor na mão
Língua, nervoso, pescoço, excitação
Você,eu,cama,parede colchão!

Monique souza

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Saudades do tempo de meninice onde ser criança era...Pipoca, chocolate, bala juquinha,
Picolé,bambolê, pique-pega, o que é o que é,
Meus pintinhos venham cá, colorir, desenhar, parque,roda-gigante, carrossel, 
Dormir de cansaço por tanto brincar,
Natal, papai Noel, fogos luz do ceú! Saudades...  



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tempo




Olho à janela fechada
E penso no que perco lá fora,
Olho para a porta trancada a chave
E  entristeço...
:- A esperança? É... De não haver mais nada de belo lá fora.
A minha esperança é que eu tenha realmente tudo que  preciso , todos os dias, do meu lado,
Às vezes me da até uma curiosidade de saber se ainda restam rosas, se ainda há jardim.
Mas os meus dias parecem ser tão completos,
:- E se isso não for felicidade? Creio que deve ser o mais perto, então!
 Fazer café todos os dias para meu velho e ouvi-lo reclamar dia após dia das noticias do mesmo velho jornal que ele lê ha décadas...

Reflexão  em cima do texto “Em quanto isso, as flores” de Jefferson Almeida (Notações sobre o tempo).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Começo com um texto de Elisa Lucinda

A fúria da beleza

Estupidamente bela
a beleza dessa “maria-sem-vergonha”
soca meu peito esta manhã!
Estupendamente funda,
a beleza, quando é linda demais,
dá uma imagem feita só de sensações,
de modo que, apesar de não se ter a consciência desse todo, naquele instante não nos falta nada.
É um pá, um tapa, um golpe,
um bote que nos paralisa, organiza,
dispersa, conecta e completa!
Estonteantemente linda
a beleza doeu profundo no peito essa manhã.
Doeu tanto que eu dei de chorar.
Por causa de uma flor comum e misteriosa do caminho.
Uma delicada flor ordinária,
brotada da trivialidade do mato,
nascida do varejo da natureza,
me deu espanto!
Me tirou a roupa, o rumo, o prumo
e me pôs a mesa...
é a porrada da beleza!
Eu dei de chorar de uma alegria funda,
quase tristeza.
Acontece às vezes e não avisa.
A coisa estarrece e abre-se um portal.
É uma dobradura do real, uma dimensão dele, uma mágica à queima-roupa
sem truque nenhum. E é real.
Doeu a flor em mim tanto e com tanta força que eu dei de soluçar!
O esplendor do que vi era pancada, era baque e era bonito demais!
Penso, às vezes, que vivo pra esse momento
indefinível, sagrado, material, cósmico,
quase molecular.
Posto que é mistério,
descrevê-lo exato perambula ermo dentro da palavra impronunciável.
Sei que é desta flechada de luz
que nasce o acontecimento poético.
Poesia é quando a iluminação zureta,
bela e furiosa desse espanto
se transforma em palavra!
A florzinha distraída,
existindo singela na rua paralelepípeda esta manhã,
doeu profundo como se passasse do ponto.
Como aquele ponto do gozo,
como aquele ápice do prazer,
que a gente pensa que vai até morrer!
Como aquele máximo indivisível,
que de tão bom é bom de doer,
aquele momento em que a gente pede pára
querendo e não podendo mais querer,
porque mais do que aquilo
não se agüenta mais...
sabe como é ?
Violenta, às vezes, de tão bela, a beleza é!
Elisa Lucinda